{"id":240,"date":"2014-03-28T01:02:56","date_gmt":"2014-03-28T01:02:56","guid":{"rendered":"http:\/\/library.brown.edu\/openingthearchives\/?page_id=240"},"modified":"2026-04-01T18:50:38","modified_gmt":"2026-04-01T18:50:38","slug":"entrevista-com-sidnei-munhoz","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/library.brown.edu\/create\/openingthearchives\/pt\/parceiros-do-projeto\/entrevista-com-sidnei-munhoz\/","title":{"rendered":"Entrevista com Sidnei Munhoz"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Sidnei Munhoz<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"http:\/\/library.brown.edu\/create\/openingthearchives\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2014\/03\/MG_8958-imprensa.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/library.brown.edu\/create\/openingthearchives\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2014\/03\/MG_8958-imprensa.jpg\" alt=\"Sidnei Munhoz\" style=\"width:298px\"\/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Sidnei J. Munhoz&nbsp;<\/strong>\u00e9 professor de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea na Universidade Estadual de Maring\u00e1. Ele liderou um esfor\u00e7o para expandir o acesso a documentos do Departamento de Estado dos EUA no Brasil, coordenando um projeto para digitalizar c\u00f3pias microfilmadas de documentos produzidos entre 1908 e 1939 e 1945-1959 em colabora\u00e7\u00e3o com o Arquivo Nacional do Brasil. Sidnei atualmente coordena o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria e do Laborat\u00f3rio de Estudos do Tempo Presente da Universidade Estadual de Maring\u00e1. Sidnei tamb\u00e9m foi professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro de 2004 a 2013. Ao longo dos \u00faltimos dez anos, a sua investiga\u00e7\u00e3o tem incidido sobre as origens da Guerra Fria e as rela\u00e7\u00f5es entre o Brasil e os EUA nos primeiros anos da Guerra Fria. Ele organizou, escreveu e co-escreveu v\u00e1rios livros, incluindo Rela\u00e7\u00f5es Brasil-EUA, que foi traduzido para o Ingl\u00eas e lan\u00e7ado em 2013 no Frankfurt International Book Fair.<\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa abaixo, ele discutiu o projeto, o seu significado para o Brasil, e outros assuntos relacionados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como originou a ideia para fazer este projeto?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia foi do Jimmy (James Green). Ele me ligou em novembro de 2012 e me contou que havia pensado em digitalizar os documentos produzidos pela diplomacia estadunidense sobre o Brasil no per\u00edodo do Golpe de 1964 e nos chamados anos de chumbo da ditadura implantada pelo o movimento golpista. Jimmy me disse que havia conversado com Marco Aur\u00e9lio Santana (Projeto Mem\u00f3rias Reveladas). Informou que Marco Aur\u00e9lio havia sugerido um contato comigo, pois sabia que eu havia digitalizado a partir dos microfilmes produzidos pelo Nara um vasto acervo documental sobre as rela\u00e7\u00f5es entre o Brasil e os EUA, relativo a per\u00edodos anteriores (1908-1940 e 1945-1959). Jimmy e eu nos conhec\u00edamos desde a Brasa de Atlanta (2002). Ele havia publicado um cap\u00edtulo \u201cOpondo-se \u00e0 ditadura nos Estados Unidos: direitos humanos e a organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos\u201d no livro \u201cRela\u00e7\u00f5es Brasil-Estados Unidos: s\u00e9culos XX e XXI\u201d (2011), organizado por Francisco Carlos Teixeira da Silva e por mim (o livro foi traduzido para o ingl\u00eas e foi lan\u00e7ado na Frankfurt International Book Fair em 2013. De pronto aceitei participar dessa empreitada, pois acalentava j\u00e1 havia anos a ideia completar os acervos digitais j\u00e1 existentes na CDO (Central de Documenta\u00e7\u00e3o) da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM). Essa proximidade e confian\u00e7a foi muito importante, pois em poucos dias nos pusemos a trabalhar e a buscar o financiamento do projeto. Em alguns dias dei o retorno ao Jimmy com a informa\u00e7\u00e3o de que o pr\u00f3-reitor de pesquisa e p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o da UEM, professor Mauro Ravagnani havia confirmado que a UEM financiaria grande parte do projeto. Com essa boa not\u00edcia, a velocidade do trabalho se intensificou. Nem&nbsp;tudo foi uma maravilha, pois as diferen\u00e7as burocr\u00e1ticas e de legisla\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses tomaram muito do nosso tempo e criaram muitas dificuldades para firmarmos um acordo de coopera\u00e7\u00e3o entre a Brown e a UEM. Por vezes essas dificuldades pareciam insuper\u00e1veis. De fato, somente conseguimos fechar o acordo na semana em que Priscila Borba da Costa, Antonio Bianchet Jr e eu viajamos do Brasil para os EUA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o no projeto?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sou um dos coordenadores junto com James Green, mas, de fato, Jimmy gerencia a maior parte do projeto. Como voc\u00eas sabem, a minha presen\u00e7a a\u00ed em Washington, foi apenas no per\u00edodo de implanta\u00e7\u00e3o do projeto e defini\u00e7\u00e3o dos primeiros passos da equipe. Continuo a acompanhar tudo daqui do Brasil, mas a experi\u00eancia de estar a\u00ed \u00e9 de voc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que significa este projeto para voc\u00ea pessoalmente? Que significa para a historia? E para o Brasil?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse projeto possibilitar\u00e1 a digitaliza\u00e7\u00e3o e a disponibiliza\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o produzida pela diplomacia dos EUA sobre o Brasil em um per\u00edodo muito importante da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Por meio do projeto ainda ser\u00e1 poss\u00edvel solicitar a desclassifica\u00e7\u00e3o de documentos que ainda continuam secretos e que poder\u00e3o ser importantes para esclarecer certos aspectos da hist\u00f3ria do per\u00edodo. Dessa forma, por interm\u00e9dio deste projeto, ser\u00e1 poss\u00edvel disponibilizar aos pesquisadores de todo o mundo documentos importantes das rela\u00e7\u00f5es entre o Brasil e os EUA e isso certamente ter\u00e1 repercuss\u00f5es nos estudos da hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses e da hist\u00f3ria da ditadura implantada pelo golpe de 1964. Para mim, essa \u00e9 uma oportunidade de contribuir com o avan\u00e7o dos estudos hist\u00f3ricos sobre as rela\u00e7\u00f5es entre os dois maiores<\/p>\n\n\n\n<p>pa\u00edses do continente e de aprimorar a compreens\u00e3o do per\u00edodo ditatorial brasileiro. Em adi\u00e7\u00e3o, o projeto ser\u00e1 de inestim\u00e1vel valia para a forma\u00e7\u00e3o de jovens pesquisadores dos dois pa\u00edses. Acrescento ainda que al\u00e9m da oportunidade de desenvolver um trabalho cient\u00edfico esses jovens poder\u00e3o dar uma contribui\u00e7\u00e3o social relevante ao Brasil, uma vez que cada um deles preparar\u00e1 um dossi\u00ea sobre um tema espec\u00edfico que ser\u00e1 encaminhado \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (comiss\u00e3o criada pela presidenta Dilma Roussef com vistas a investigar os crimes cometidos durante o per\u00edodo ditatorial).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 seu interesse prim\u00e1rio como professor?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos quinze anos tenho me dedicado ao estudo da Guerra Fria (historiografia da Guerra Fria, pol\u00edtica externa dos EUA e as rela\u00e7\u00f5es entre o Brasil e os EUA). Dessa forma, o presente projeto se enquadra nos meus interesses de pesquisa. Regra geral ministro disciplinas voltadas \u00e0 Hist\u00f3ria do Tempo Presente ou relacionadas ao estudo de historiografia e de teorias da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea esteve envolvido em projetos similares? Que foi diferente ou similar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Coordeno a CDO (Central de Documenta\u00e7\u00e3o) da UEM. Tenho gerenciado projetos com vistas a dotar a Central de recursos para a digitaliza\u00e7\u00e3o de documentos. Na CDO temos digitalizados acervos documentais importantes para a Hist\u00f3ria do Paran\u00e1, do Brasil e das rela\u00e7\u00f5es Brasil-Estados Unidos. No entanto, o \u201cOpening the Archives\u201d \u00e9 muito diferente pois implica o envolvimento conjunto de um grupo de estudantes de duas universidades, de dois pa\u00edses diferentes. Al\u00e9m disso, a experi\u00eancia de trabalhar no Nara, certamente, \u00e9 singular. Acrescento que o projeto \u00e9 de grande valia para oferecer aos pesquisadores documentos que permitir\u00e3o uma melhor compreens\u00e3o da hist\u00f3ria do Brasil durante o per\u00edodo ditatorial e, em paralelo, das rela\u00e7\u00f5es entre o Brasil e os EUA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que voc\u00ea espera que os estudantes aprendam com essa experi\u00eancia?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para @s estudantes brasileir@s a experi\u00eancia internacional, de trabalhar no National Archives alavancar\u00e1 as suas carreiras. Priscila estuda hist\u00f3ria dos EUA e Antonio a hist\u00f3ria do Golpe de 1964. Assim ambos se beneficiar\u00e3o muito do projeto. Para @s estudantes da Brown, acredito que \u00e9 uma possibilidade \u00edmpar para conhecer de perto a documenta\u00e7\u00e3o dos EUA sobre o per\u00edodo ditatorial brasileiro. Com isso, conhecer\u00e3o muito mais sobre a hist\u00f3ria do pa\u00eds e da sua cultura. Al\u00e9m disso, poder\u00e3o contribuir com a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, ato que se reveste de grande import\u00e2ncia social e que certamente marcar\u00e1 as suas experi\u00eancias acad\u00eamicas. Por fim, ser\u00e1 uma experi\u00eancia de aproxima\u00e7\u00e3o e solidariedade entre estudantes de ambos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como antev\u00ea o futuro deste projeto? Como evoluir\u00e1 depois deste ver\u00e3o?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que poderemos dar continuidade \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o de documentos de per\u00edodos mais recentes da hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses. Al\u00e9m disso, com o processo de indexa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel utilizar ferramentas de busca para pesquisar a documenta\u00e7\u00e3o na Internet. Como resultado, certamente, haver\u00e1 um grande avan\u00e7o nos estudos hist\u00f3ricos sobre o per\u00edodo. Al\u00e9m disso, o Interesse do Nara no projeto abre as portas para novas parcerias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tem alguma coisa que voc\u00ea deseja acrescentar?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Espero que tudo continue a correr t\u00e3o bem como est\u00e1 a acontecer at\u00e9 o momento e espero levar outro grupo de estudantes brasileiros para Washington em 2014. Desejo que os estudantes da Brown adquiram ainda um maior interesse pelo Brasil e pela sua hist\u00f3ria e me coloco \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o caso decidam passar algum tempo na UEM. Por fim, reafirmo que tem sido muito boa essa parceria. Trabalhar com Jimmy e com toda a equipe realmente tem sido uma experi\u00eancia \u00edmpar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sidnei Munhoz Sidnei J. Munhoz&nbsp;\u00e9 professor de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea na Universidade Estadual de Maring\u00e1. 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